O que fazer após a reprovação? A difícil arte de recomeçar.
Quão pesado é o fardo do concurseiro. Priva-se o convívio com familiares, perdem-se doces momentos de lazer, enfrentam-se horas de estudos solitários, tudo em busca de um sonho, o qual pulsa forte no seu coração mas paira incerto na mente. Tudo isso, é sabido, faz parte da preparação, do treino.
Chegado o dia do jogo, da competição, da “prova para valer”, uma simbiose de expectativa, ansiedade, medo e confiança assola o seu espírito, conduzindo-o até o local do certame. A dúvida que não quer calar: será essa a prova da minha vida? O caderno de provas é aberto e o destino de cada um começar a se delinear. Feições risonhas se misturam a outras desapontadas e também há os sorrisos amargados pela dúvida, será que ainda tenho chances? Para alguns, o sucesso. Para outros…
A vida de concurseiro é assim. Não se admite, por ora, o ponto final. Melhor reticência. A obra ainda não está acabada. Não é momento de desistir.
O insucesso, naquele momento, parece cruz pesada demais a um ombro já tão cheio de cargas, como é o do concurseiro. A interrogação passa a ser outra. Por que tenho a sensação de que quanto mais eu estudo pior os meus resultados? Será que esse é o futuro certo para mim? Eis a tempestade que recai sobre ele. Mas, ninguém deve sair de casa sob tufões ou maremotos. Já dizia o ditado que ”depois da tempestade vem a bonança”. Melhor, portanto, aguardar. As indagações não devem ser respondidas sob o amargo gosto da decepção. É hora apenas de depurar a ressaca moral da reprovação.
É direito do concurseiro tirar alguns dias de descanso, porque nada que se decidir, sob tamanha angústia, poderá ser proveitoso. Porém, há algo certo. É insano abandonar o sonho agora.
Se desistir nunca saberá o quanto faltava para lograr êxito na sua empreitada. É momento de reafirmar convicções e lançar mão da maturidade psicológica. A inteligência emocional deve gritar e o quociente de inteligência apenas ouvi-la, porque esta é de pouca valia na recuperação dessa ressaca moral.
O candidato que é capaz de pensar em renunciar ao seu sonho após a reprovação já atingiu um nível de estudos considerável. Haja vista que ninguém pensa em desistir quando a reprovação ocorre no início da preparação. Ora, se assim é, não é hora de abandonar o barco. Muito já foi percorrido e boa parte da vida foi postergada para se chegar até esse ponto. Debandar agora será muito mais dispendioso que continuar.
Esse é o momento em que os fracos começam a sucumbir, faz parte do processo de seleção natural. Afinal, as carreiras públicas necessitam de pessoas arrojadas. Gênios podem não suportar a amargura da reprovação, é preciso mais que inteligência diferenciada nessa hora. Imprescindível a garra, a fibra, a perseverança e o espírito aguerrido a fim de buscar forças para levantar e continuar o seu projeto. “A têmpera do melhor aço, para ser forjada, tem que passar pelo fogo mais quente” como já dizia Richard Nixon.
Da reprovação extraem-se apenas lições. As decepções não são eternas. É hora de reavaliar métodos de estudo, não de renunciar ao sonho. Difícil a arte de recomeçar após a derrota, mas necessária. Quanto maiores as dificuldades, mais gloriosa é a conquista. A sabedoria floresceu das penas de Carlos Drummond de Andrade quando disse “fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho”.
Cada vez que se supera o ímpeto de desistir, mais perto se chega da glória. O peso da decepção aliado a escuridão do tormento obinubilam a vista do concurseiro, impedindo-o de visualizar o sucesso iminente. É só aguardar, estudando, a calmaria chegar para que a aprovação se delineie mais clara. O tempo, a disciplina e a perseverança são as melhores respostas à angústia e à decepção da reprovação. Portanto, não saia agora, espere a tempestade passar.
Paradoxalmente, pode-se mostrar e ensinar o caminho da aprovação ao concurseiro, mas não se pode percorrê-lo em seu lugar. Essas são apenas palavras de alento, a atitude fica, doravante, por conta do candidato. Não coloque um ponto final com o fracasso, continue a escrever a história do seu sucesso.
… realmente não é tarefa das mais fáceis o reinício dos trabalhos após mais uma reprovação, principalmente pelas injustiças que, muitas vezes ocorrem em provas de segunda fase, as chamadas questões dissertativas. Mas foi bom ler esse artigo, pois devemos sim esperar a tempestade passar para, somente após, decidirmos o caminho a ser trilhado……. AVANTE!!!
Nossa como e dificil recomeçar depois uma reprovaçao , mas nao vo desistir nao !
Mto legal o texto hein cunhado! Inspirador!
Drº Marcelo
Esses dizeres fiquei inaltecido nesse momento em que passo, lembrarei sempre, força para minha inspiração.
Tudo de bom, que Deus lhe abençõe.
Obrigado guerreiro, Deus foi generoso em colocá-lo em nossos caminhos!
Não se esqueça “FORÇA E HONRA”, sempre!
Juliano
Doutor Marcelo, brilhante texto.
Sinceramente, fiquei admirado com a profundidade a que chegou!
Espero recordar sempre suas palavras.
Abraço
Marcelo, suas colocações servem de alento nesse momento de ressaca moral, como bem colocado.
Bjos
Jace
Fico feliz por saber que o artigo atingiu um dos seus objetivos. Bjos, querida!
Meu velho, sensacional o texto. Dá a medida exata da situação. Grande abraço.
Espero que sirva de alento. Abçs.
Caro Marcelo,
Suas palavras retratam o meu sentimento neste momento. Obrigada por elas. Certamente reafirmaram alguns sentimentos que pairavam no ar e, também, elegantemente, retiraram os que não deveriam ter surgido.
Obrigada,
Juliana (S/A – CW)
Agora é momento de reflexão. Continue firme nos seus propósitos. Bjos!
Marcelo,
Como sempre, vc fala com propriedade o que precisamos ouvir.
Obrigada pelo post!
Beijos carinhosos, JU
Não se esqueça, Ju (íza). Bjos!