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Discurso. Jantar de recepção dos juízes substitutos aprovados no concurso 179º.

 Segue o discurso que proferi no dia 27/08/2007, por ocasião do Jantar de recepção dos juízes do 179º concurso, promovido pela APAMAGIS.

“EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR CELSO LUIZ LIMONGI, Digníssimo Presidente do Tribunal de Justiça

 EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR SEBASTIAO LUIZ AMORIN, Presidente da Associação Paulista de Magistrados

 Desembargadores, Juízes, Promotores, Advogados, familiares e amigos aqui presentes…

 

É com regozijo e com imensa preocupação quanto à responsabilidade desse ato que inicio meu discurso.

Falar para pessoas tão ilustres, em nome de e para os meus amigos recém empossados, é sem dúvida tarefa deveras importante.

Proponho uma breve reflexão acerca do nosso passado, presente e futuro.

Passado próprio e comum a todos nós recém aprovados.

O primeiro dia de estudos nessa longa jornada desde quando decidimos perfilhar o ideal de sermos magistrados, servos cumpridores e aplicadores do Direito.

As agruras dos estudos solitários e a certeza da aprovação que pulsava forte em nossos corações, mas pairava incerta em nossas mentes.

As objeções de todas as ordens até aqui enfrentadas, as não raras expectativas frustradas e a laboriosa empreitada de reiniciar os estudos após uma reprovação, porque como disse Carlos Drummond de Andrade, fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.

Os doces momentos de lazer com a família e com os amigos, os compromissos da vida pessoal, tudo postergado em prol de um único sonho, atendermos aos anseios da sociedade como magistrados.

O carinho, a compreensão, a confiança e a torcida dos familiares e amigos.

Histórias de vidas tão heterogêneas e ao mesmo tempo com pontos em comum que hoje nos une em um mesmo sonho realizado.

Precisas as palavras de Victor Hugo: Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.

A esse passado, a nossa gratidão. Pois, sem ele o presente não seria possível e tão esplendoroso.

A têmpera do melhor aço, para ser forjada, tem que passar pelo fogo mais quente como já dizia Richard Nixon.

Quanto ao presente, enalteço a jubilação do momento por alcançar nosso objetivo, e não poderia também deixar de laurear os pais, presentes ou em memória, esposas, esposos, companheiros, namoradas e namorados, demais parentes e amigos que nos foram tão essenciais nessa escarpada jornada.

Aos notáveis membros da Banca Examinadora, nossas reverências e agradecimentos pela forma cortês e polida com que fomos tratados por Vossas Excelências, já servindo tal postura como exemplo a ser seguido por nós diuturnamente em busca do nosso crescimento pessoal e funcional.

Aos funcionários do Tribunal de Justiça, nossos carinhosos agradecimentos, pela forma afável e educada como sempre nos atenderam.

À APAMAGIS, na pessoa do seu Presidente Excelentíssimo Desembargador SEBASTIÃO LUIZ AMORIN, pela aprazível recepção ao ingressarmos na carreira e por esse coquetel.

Já em relação ao futuro – Excelências, Doutores, Senhoras e Senhores –  este sim ainda causa-me expectativas.

Rogo que possamos ter serenidade e iluminação a fim de não sermos seduzidos pela vaidade do cargo, pelo orgulho, pela tentação do mal, e nem fascinados pelas honrarias e glórias vãs, conforme já pedia o vocacionado magistrado João Alfredo Medeiros Vieira na famosa “Prece de um Juiz”.

Que tenhamos força e coragem para atender aos anseios da população por um Poder Judiciário efetivamente independente, célere, destemido perante a criminalidade crescente e o abuso de Poder, mas sensível e atento àqueles expropriados dos mais elementares direitos como cidadão e relegados à periferia da sociedade.

Nos dizeres de Montesquieu A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos.

Esforcemos, assim, para retomar a função de garantia dos direitos dos cidadãos, resgatando dia-a-dia a tão atacada dignidade da Justiça e o respeito pelo Poder Judiciário.

Trabalhemos com esmero, não para que nossas decisões sejam reproduzidas como obras jurídicas, mas sim para que sejam capazes de atingir seu objetivo de saciar a sede de Justiça que leva os nossos jurisdicionados a acionar diariamente o Poder Judiciário.

Não permitamos, com Rui Barbosa que o jurisdicionado se desanime da virtude, ria da honra e tenha vergonha de ser honesto por tanto ver triunfar as nulidades, prosperar a desonra, crescer a injustiça e ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus.

Conclamo a todos, nobres cavalheiros da Justiça, a marcharmos ombreados nessa magnificente Instituição que ora ingressamos combatendo a injustiça, preservando a democracia e resguardando os direitos dos cidadãos, dignificando assim a magistratura bandeirante, o Poder Judiciário e a República Federativa do Brasil.

Isso para que no futuro possamos volver os olhos ao passado e nos orgulharmos conscientes que a toga que ora vestimos permaneceu – por todo esse tempo – intocável a máculas, impermeável à corrupção e firme aos desmandos do poder arbitrário.

Tire todas as togas dos bons juízes e elas não serão suficientes para cobrir a iniqüidade de um só juiz corrupto, já advertira o escritor norte-americano Henry Word Beecker.

Por derradeiro, peço que tenhamos disciplina e consciência para não nos desgarrarmos dos compromissos acima assumidos, e que não só os membros da eminente Banca Examinadora e do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, mas também a sociedade por eles representada possa sentir satisfação de um dia nos ter escolhido para vestir o manto como magistrados dessa gloriosa Instituição que é o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Agradeço a atenção educada com que me ouviram e peço escusas pelo tempo tomado, e com as pontuais palavras do Desembargador Paulista Sidnei Agostinho Beneti finalizo desejando que o Poder Judiciário e o Poder dos Juízes opere, nas mãos dos magistrados aqui presentes, a parcela que lhes cabe na construção da melhor sociedade para nosso povo. Boa noite e muito obrigado.

 

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  1. Renato Godoy
    21 de setembro de 2009 às 14:57

    Nobre amigo Yukio,

    Graças ao Google, tenho tido o privilégio de acompanhar, desde 2005, a evolução e grandiosidade da sua brilhante carreira.
    Infelizmente, não tenho mais seu endereço de e-mail, por isso, uso deste espaço.
    Yukio, preciso dividir com você minha alegria ao ver você chegar aonde chegou…hoje, 5 anos depois, entendo em que você pensava, ao ficar horas na biblioteca municipal de Birigui, estudando. Lembro-me também que tive não só o privilégio de passar com você algumas dessas horas estudando, como também o prazer de trabalharmos juntos na GCM Birigui, mas, infelizmente, eu ainda não tinha os olhos e a visão que você já tinha desde então. Aquelas folhas de papel sulfite que você carregava para cima e para baixo, marcadas à lápis com as datas e horários que você as havia lido te deram esse conhecimento enorme.
    Eu, infelizmente, só fui abrir meu olhos 4 anos depois. Tudo bem que neste lapso temporal enfrentei muitas adversidades da vida, mas creio que estas não podem ser usadas como desculpa para os 4 anos perdidos.
    Ainda continuo estudando para concursos…depois da GCM, passei em alguns outros, chegando até a tomar posse e trabalhar, inclusive.
    Hoje, meu sonho, é conseguir passar em um concurso que me garanta os 3 anos de experiência jurídica e, no futuro, tentar a Magistratura. Sei que estou anos-luz longe de alcançar meu objetivo, amigo. Mas sei também que tenho sede de conhecimento jurídico. Cada dia mais.
    Mas é preciso que você saiba que, neste aspecto, você se tornou meu norte e minha referência, e que, quando eu chegar lá, você saberá que foi por sua influência.
    Para nós, concurseiros, você é um herói.
    Você tem um amigo aqui em Bauru!
    Um forte abraço, com muito orgulho de você.

    Do amigo,
    Renato Godoy

    • marcelomisaka
      22 de setembro de 2009 às 02:41

      Estimado amigo Renato! Honro-me em saber que essas canhestras palavras que rabisco são lidas por pessoa de qualidades ímpares como vc! Fico feliz em saber que, de alguma forma, contribuo à realização dos sonhos dos concurseiros.
      Também alegro ao saber que vc retomou a sua meta, e tenha ctza que com seu potencial está mais perto do objetivo do que imagina. Essa “sede de conhecimento jurídico” fornecerá a energia que necessita para percorrer esse árduo, posto prazeroso, caminho. O tempo é inversamente proporcional a sua dedicação, tenha certeza e fé.
      Reconheço em vc as qualidades de um amigo, porque, na época, mesmo não tendo os mesmos ideais, nunca deixou de me apoiar ou proferiu palavras de desestímulos.
      Agora chegou a sua hora e sua vez. Continue firme nessa jornada, o sucesso é consequencia inevitável.
      Um forte abraço.

  2. Luís Gustavo Ferreira Fornazari
    9 de setembro de 2009 às 18:06

    Beleza de discurso Dr.
    É daqueles pra se ler todos os dias. Uma relevante lição.

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